Bom galera, depois de descansar bastante no Sabadão pos compras, com direito ficar perdido e tudo mais, eis que minha hostmother chama o senegalense que mora na França e estuda na Irlanda (isso é muito comum por aqui), um baita negão de 7 metros de altura, e pergunta pra ele se está com planos de sair no sábado a noite, com a resposta positiva ela diz:
- Leva o Hadson com você.
Ele olhou prum lado pro outro, suspirou, olhou pra baixo, eu estava com a aquela carinha daquele gatinho pidão do filme Shrek. Então ele diz:
- That’s ok.
Marcamos pras 22:30 e fui tomar um demorado banho de 2 minutos e fiquei prontinho esperando meu negão me chamar. Eis que as 22:30 em ponto (pontualidade européia) ele me chama e lá vamos nos para o ônibus. O ponto era bem em frente a casa e o serviço é de uma pontualidade extrema.
Aqui os ônibus não recebem dinheiro em notas, apenas moedas e tem de estar no valor correto, geralmente 1,60 euros. Tem um local onde você joga as moedas e automaticamente sai um comprovante e se você colocar por exemplo uma moeda de dois euros então juntamente com a notinha vem escrito o valor do seu troco, então em posse desse papelzinho você se dirige a agencia central da empresa em qualquer dia para receber o seu troco, interessante né? Eu sou um bom pesquisador e já sai do Brasil sabendo disso então não passei vergonha, ainda.
O local escolhido pelo meu hostbrother foi um Pub chamado Dandelion que fica no centro de Dublin próximo a Grafton Street e de frente ao Stephens Green Park. No caminho para o centro, meu amigo Bass (esse é o nome dele) foi me contando sua jornada até a Irlanda, nada de interessante portanto não vou postar aqui, só sei dizer que o cara tem o tão sonhado Passaporte Europeu, sonho de consumo de todo mundo. O cara pode ir pra qualquer pais dentro da união européia e ficar o tempo que quiser, sem imigração, dor de cabeça nem nada. Um dia vou ter o meu!
Massa, chegando ao Pub Dandelion, até que enfim eu tomaria meu primeiro pint of Guinness (cerveja mais famosa do mundo e tem aproximadamente uns 250 anos). Já estava contando os euros no bolso pra saber até onde poderia ir e nisso deixei cair o papel onde anotei o endereço da minha hostfamily, não vi, tamanha empolgação, afinal não é todo dia que se toma pela primeira vez uma cerveja irlandesa tradicionalíssima e em um Pub super conceito na cidade, sem dizer a companhia de um europeu super gente boa. Eu anotei o endereço pois na hora de ir embora, talvez pelo horário seria necessário ir de táxi e eu poderia me perder do meu amigo e ainda por cima devido ao teor alcoólico eu poderia não conseguir dizer ao taxista, em inglês, onde moro. Então agora vocês já podem ter um vislumbre do meu drama pos festa. Mas foi tranqüilo.
Entramos, naquele dia estava muito cheio e tivemos de pagar 10 euros pra entrar ou teríamos de ficar lá fora no relento, muito caro pois, aqui na Irlanda a grande maioria dos Pubs são gratuitos, é muito comum você ir em pubs de mais de 1000 (isso mesmo, mil) anos de idade sem pagar nada pra entrar, mas beleza, paguei com dó mas paguei, não poderia voltar pra casa, tinha de me enturmar e rápido. Lugar simplesmente lindo, são 3 andares de bar, pista de dança, mesas redondas, monte de balcões com cadeiras, estilo aqueles que agente vê em filmes onde você compra uma bebida e fica trocando idéia com o garçom, sabe? Porem estava muito cheio e, se já é difícil entender irlandês em uma conversa normal, imagina bêbados. Gente pra beber com força são esses descendentes celtas, inclusive as mulheres, mas diferentemente do Brasil, aqui o interesse maior é beber mesmo e não ficar de paquera pelos cantos, é raro você ver alguém beijando, geralmente estão muito bêbados para pensar nisso. Eles também adoram conversar, sempre tem assunto pra tudo e são muito receptivos, principalmente os mais velhos.
Encontramos os amigos franceses de Bass e nos sentamos na mesa, maravilha né? Imagina que ótimo, você, brasileiro no meio de 5 jovens franceses conversando apenas em que língua? Pois é caros amigos, achei uma falta de educação do baralho, eles poderiam pelo menos tentar conversar em inglês pra me integrar, teve um que até as costas me deu, pensei em chamar a atenção, mas me lembrei que não estou no Brasil e que aqui a cultura é diferente da nossa, isso pra eles pode ser normal, alienígena ali era eu. Então o que fiz, fiquei assuntando a conversa pelos cantos atrás de um bom e velho português ou pelo menos alguns locais hospitaleiros para me tirar daquela encrenca. Não achei, estavam todos muito bêbados e não consegui nada, fiquei tomando uns pint e lá pelas 2 da manha todas luzes do pub começaram a piscar, eu achei estranho aquilo e vi que todo mundo simplesmente estava indo embora então entendi que aquilo era a forma do pessoal avisar que era hora de ir embora. Aos que não entendem direito, eles literalmente te convidam pra sair, aqui todos os bares e pubs da cidade fecham no Maximo as 2 da manha, coisa de pais de primeiro mundo, sei lá. Na corre corre acabei me perdendo do meu amigo e guia. Por sorte nesse horário tem muitos taxistas que socorrem as pessoas nas ruas, mesmo porque as linhas ônibus terminam seus turnos as 23:30, igual no Brasil, isso é um ponto negativo, então salve o táxi. Consegui explicar para o motorista direitinho onde eu morava e ainda deu pra trocar um bom papo. Me deu varias dicas de Dublin, locais pra ir e não ir. Valeu a corrida, cada vez estou me sentindo mais adaptado a cidade. Andar com as próprias pernas e fazer tudo sozinho está sendo muito bom pro meu crescimento pessoal e cultural. O intercambio está valendo muito a pena.
No domingo não fiz nada, fiquei em casa o dia inteiro e comecei a fazer este blog.
Até mais pessoal e sempre que puderem comentem os meus post, são de grande valia pra sempre estar tentando melhorar, ok?
Abraços.
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